|Quando o nascimento do bebê convoca transformações psíquicas
O puerpério é um tempo de profundas transformações.
Não apenas no corpo, mas na forma como a mulher se percebe, se reconhece e se posiciona no mundo.
Entre o nascimento do bebê e as exigências do cotidiano, algo do sujeito também se reorganiza, muitas vezes de forma silenciosa. Expectativas, fantasias, histórias anteriores e identificações entram em movimento, muitas vezes sem encontrar palavras que as sustentem.
Apesar de frequentemente descrito como um período de plenitude, o puerpério pode ser atravessado por sentimentos ambivalentes, exaustão, culpa, angústia e estranhamento de si. Essas experiências nem sempre encontram espaço para serem ditas, especialmente quando não correspondem às idealizações sociais da maternidade.
Do ponto de vista psicanalítico, o puerpério não se reduz a uma fase biológica ou a um ajuste de rotina.
Trata-se de um tempo psíquico sensível, no qual a mulher se confronta com mudanças profundas na identidade, nos vínculos e na relação consigo mesma.
Nesse período, é comum que surjam perguntas silenciosas, muitas vezes difíceis de nomear:
Quem sou agora?
O que mudou em mim?
Por que não me reconheço como
imaginei?
Essas questões não indicam falha, incapacidade ou despreparo. Elas fazem parte de um processo de reorganização subjetiva que pede tempo, escuta e elaboração, e não respostas imediatas.
O acompanhamento psicanalítico no puerpério oferece um espaço onde essas experiências podem ser ditas, sem julgamento e sem exigência de adaptação imediata.
A escuta clínica sustenta o tempo necessário para que a palavra encontre lugar.
Não se trata de orientar, corrigir ou normalizar sentimentos, mas de sustentar um espaço onde a mulher possa se escutar em sua singularidade, reconhecendo afetos, ambivalências e os limites reais desse momento da vida.
Esse trabalho respeita o tempo possível do puerpério e considera condições emocionais, corporais e praticas desse período.
Muitas mulheres atravessam o puerpério com a sensação de que precisam “dar conta” de tudo: do bebê, da casa, das expectativas externas e das próprias emoções.
O acompanhamento psicanalítico não se propõe a eliminar o desconforto, mas a oferecer um espaço onde não é preciso responder a todas as exigências ao mesmo tempo.
Trata-se de um lugar de sustentação psíquica, onde a palavra pode surgir aos poucos, respeitando o ritmo do corpo, do bebê e das
condições reais do cotidiano.
Nem tudo precisa ser resolvido.
Nem tudo precisa ser compreendido de imediato.
Algumas experiências apenas precisam ser escutadas.
O e-book “O Puerpério e seus sentidos” foi escrito a partir da experiência clínica e dos referenciais da psicanálise, como um material de reflexão para mulheres que atravessam esse tempo sensível.
Ele não substitui acompanhamento clinico, mas pode oferecer palavras quando ainda é difícil falar, inclusive para quem está em processo ou considerando iniciar um acompanhamento.
Nem sempre a experiência encontra voz imediatamente.
Às vezes, a palavra começa pela escuta, antes mesmo de ser dita com clareza.
O acompanhamento psicanalítico no puerpério sustenta esse tempo inicial, em que algo ainda está em formação, pedindo cuidado, presença e elaboração.
Para compreender melhor como funciona um processo analítico e o lugar da escuta na clínica psicanalítica, você pode acessar o texto principal aqui:
O processo analítico: o que acontece quando há espaço para escutar
Se, ao ler, você percebe que algo do que foi dito toca sua própria experiência, talvez esse seja um momento de escuta.
O acompanhamento psicanalítico no puerpério foi estruturado especificamente para esse periodo, em encontros on-line de curta duração e respeitando as condições reais desse momento de vida.
Quando fizer sentido para você pode entrar em contato para saber mais.
© 2024 Escuta que Transforma · Priscila Dockhom, Psicanalista
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