Imagem de fundo marrom-alaranjado com um coração de aparência rachada e textura de pedra no centro. Das rachaduras do coração, nascem pequenas flores delicadas, simbolizando superação e esperança. Na parte superior da imagem está escrito em itálico e na cor preta: "Divórcio, por que ele afeta tanto?"

Acompanhamento psicanalítico no divórcio

O divórcio costuma ser compreendido como uma decisão prática, jurídica ou relacional.

Na clínica, porém, ele se apresenta como algo mais profundo: uma ruptura que atravessa a identidade, os vínculos e a forma como o sujeito se reconhece no mundo.

Nem sempre o sofrimento está apenas no fim da relação, mas no que se perde junto com ela, projetos, lugares ocupados, identificações e fantasias que sustentavam aquele laço.

É a partir dessa escuta que se estruturam formas específicas de acompanhamento psicanalítico voltadas para o divórcio, diferentes do atendimento clínico tradicional.

Quando o divórcio convoca um trabalho psíquico específico

Durante um processo de separação, é comum que surjam experiências como:

  • luto pela relação e pelo futuro imaginado
  • culpa ou sensação de fracasso
  • raiva, ambivalência e confusão emocional
  • repetição de padrões afetivos
  • dificuldade de se reconhecer fora do vínculo conjugal
 

Essas vivências não indicam fragilidade psíquica.

Elas sinalizam que algo importante foi mobilizado e pede tempo de elaboração.

Nem sempre um acompanhamento clínico sem foco definido consegue sustentar esse momento com a precisão necessária.

O divórcio como tempo psíquico sensível

Do ponto de vista psicanalítico, o divórcio não é apenas um evento externo.

Ele configura um tempo psíquico sensível, marcado por desorganização subjetiva e necessidade de reorganização interna.

Nesse período, perguntas silenciosas costumam emergir:

Quem sou eu agora, sem essa relação?

O que se rompeu junto com o vínculo?

O que se repete na minha forma de me relacionar?

Essas perguntas não pedem respostas rápidas.

Pedem escuta.

Um formato de acompanhamento orientado pela psicoterapia breve psicanalítica

No meu trabalho clínico, o acompanhamento no divórcio é orientado pelos referenciais da psicoterapia breve psicanalítica, compreendida aqui como um enquadre com foco clínico definido,  não como superficialidade.

Esse formato se diferencia porque:

  • reconhece o divórcio como eixo central do sofrimento
  • sustenta um tempo delimitado de elaboração
  • favorece a compreensão de repetições e conflitos mobilizados pela ruptura
  • permite reorganizar a identidade após o fim do vínculo

Não se trata de “superar o divórcio”, mas de elaborar o que ele convoca.

O lugar da escuta nesse tipo de acompanhamento

A escuta psicanalítica não orienta decisões nem oferece soluções prontas.

Ela sustenta um espaço onde o sujeito pode se escutar com mais clareza em um momento de atravessamento.

Durante o divórcio, muitas pessoas se sentem pressionadas a “seguir em frente”, reorganizar a vida rapidamente e demonstrar força.

Este formato de acompanhamento oferece um espaço onde isso não é exigido.

Nem tudo precisa ser resolvido.

Nem tudo precisa ser compreendido de imediato.

Algumas experiências apenas precisam ser escutadas.

Um atendimento que não é genérico

Nem todo momento da vida pede o mesmo tipo de escuta.

O acompanhamento psicanalítico no divórcio nasce da clínica e da observação de que esse período exige um cuidado específico, diferente de atendimentos generalistas.

Trata-se de um trabalho que respeita o ritmo subjetivo de cada pessoa, sem promessas de adaptação rápida ou normalização do sofrimento.

Quando a palavra começa a encontrar lugar

Nem sempre a experiência encontra voz imediatamente.

Às vezes, a palavra começa pela leitura,  antes mesmo de ser dita em voz alta.

Caso queira aprofundar a leitura sobre o divórcio leia o ebook “Divórcio: Pr que ele afeta tanto

Para compreender melhor como funciona um processo analítico e o lugar da escuta na clínica psicanalítica, você pode acessar o texto principal aqui:

O processo analítico: o que acontece quando há espaço para escutar

Se, ao ler,  você percebe que algo da sua própria experiencia foi tocado, talvez este seja um momento possível de escuta. 

O acompanhamento psicanalítico no divórcio pode, quando fizer sentido, se tornar esseespaço.

Mulher sentada sorrindo. Ela tem cabelo castanho escuro, na altura dos ombros, levemente ondulado. Está usando uma blusa de manga curta na cor salmão e uma saia ou calça em tonalidade semelhante. Usa brincos pequenos, colar fino e pulseiras, incluindo uma pulseira dourada com detalhe em verde. O fundo é liso e bege, criando uma sensação de harmonia com as cores da roupa. Ela está sentada de lado, mas voltada para a câmera, transmitindo simpatia e tranquilidade.

"Entre o silencio e a palavra nasce o que pode ser transformado"

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© 2024 Escuta que Transforma · Priscila Dockhom, Psicanalista

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