O divórcio costuma ser compreendido como uma decisão prática, jurídica ou relacional.
Na clínica, porém, ele se apresenta como algo mais profundo: uma ruptura que atravessa a identidade, os vínculos e a forma como o sujeito se reconhece no mundo.
Nem sempre o sofrimento está apenas no fim da relação, mas no que se perde junto com ela, projetos, lugares ocupados, identificações e fantasias que sustentavam aquele laço.
É a partir dessa escuta que se estruturam formas específicas de acompanhamento psicanalítico voltadas para o divórcio, diferentes do atendimento clínico tradicional.
Durante um processo de separação, é comum que surjam experiências como:
Essas vivências não indicam fragilidade psíquica.
Elas sinalizam que algo importante foi mobilizado e pede tempo de elaboração.
Nem sempre um acompanhamento clínico sem foco definido consegue sustentar esse momento com a precisão necessária.
Do ponto de vista psicanalítico, o divórcio não é apenas um evento externo.
Ele configura um tempo psíquico sensível, marcado por desorganização subjetiva e necessidade de reorganização interna.
Nesse período, perguntas silenciosas costumam emergir:
Quem sou eu agora, sem essa relação?
O que se rompeu junto com o vínculo?
O que se repete na minha forma de me relacionar?
Essas perguntas não pedem respostas rápidas.
Pedem escuta.
No meu trabalho clínico, o acompanhamento no divórcio é orientado pelos referenciais da psicoterapia breve psicanalítica, compreendida aqui como um enquadre com foco clínico definido, não como superficialidade.
Esse formato se diferencia porque:
Não se trata de “superar o divórcio”, mas de elaborar o que ele convoca.
A escuta psicanalítica não orienta decisões nem oferece soluções prontas.
Ela sustenta um espaço onde o sujeito pode se escutar com mais clareza em um momento de atravessamento.
Durante o divórcio, muitas pessoas se sentem pressionadas a “seguir em frente”, reorganizar a vida rapidamente e demonstrar força.
Este formato de acompanhamento oferece um espaço onde isso não é exigido.
Nem tudo precisa ser resolvido.
Nem tudo precisa ser compreendido de imediato.
Algumas experiências apenas precisam ser escutadas.
Nem todo momento da vida pede o mesmo tipo de escuta.
O acompanhamento psicanalítico no divórcio nasce da clínica e da observação de que esse período exige um cuidado específico, diferente de atendimentos generalistas.
Trata-se de um trabalho que respeita o ritmo subjetivo de cada pessoa, sem promessas de adaptação rápida ou normalização do sofrimento.
Nem sempre a experiência encontra voz imediatamente.
Às vezes, a palavra começa pela leitura, antes mesmo de ser dita em voz alta.
Caso queira aprofundar a leitura sobre o divórcio leia o ebook “Divórcio: Pr que ele afeta tanto
Para compreender melhor como funciona um processo analítico e o lugar da escuta na clínica psicanalítica, você pode acessar o texto principal aqui:
O processo analítico: o que acontece quando há espaço para escutar
Se, ao ler, você percebe que algo da sua própria experiencia foi tocado, talvez este seja um momento possível de escuta.
O acompanhamento psicanalítico no divórcio pode, quando fizer sentido, se tornar esseespaço.
© 2024 Escuta que Transforma · Priscila Dockhom, Psicanalista
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