Há momentos em que tudo o que parece difícil começa a desmoronar por dentro.
Relações perdem o brilho, o trabalho perde o sentido, a antiga segurança deixa de abrigar.
É nesse vazio; entre o que se repete e o que pede para nascer, que o sujeito se vê diante da própria história.
A psicanálise entende a repetição não como falha, mas como retorno de algo que insiste em ser elaborado.
Repetimos não por escolha, mas porque há algo, no inconsciente, que ainda pede tradução em palavra, em gesto, em novo sentido.
O corpo guarda marcas de tudo o que não pôde ser dito.
Nas crises, é ele quem fala: nas tensões, nas faltas de ar, nas insônias, nos silêncios prolongados.
A repetição, então, não é apenas mental, é também corporal, pulsional, afetiva.
Muitas vezes, o corpo denuncia antes mesmo que a mente consiga formular. Insônia, tensões acumuladas, falta de ar, sensação de aperto ou um cansaço que não passa — tudo isso são sinais de que algo retorna insistindo em ser elaborado. A psicanálise acolhe esses movimentos, não para “corrigir comportamentos”, mas para que o sujeito possa compreender o sentido psíquico dessas manifestações. Quando ele se reconhece nesse lugar, cria-se uma chance real de transformação, porque o corpo deixa de carregar sozinho o que não encontrava palavra.
Reconhecer esse movimento é o primeiro passo da travessia:
da repetição inconsciente à escolha consciente.
Em análise, o sujeito é convidado a falar, a recordar, a sonhar.
Cada palavra dita abre uma fresta naquilo que estava cristalizado.
Pouco a pouco, o que era repetição vai se tornando elaboração.
A travessia analítica não busca “acabar” com o sintoma,
mas escutar o que ele anuncia. E, assim, abrir novas margens de existência.
Crises não são apenas colapsos, são chamados ao encontro de si.
Em muitos casos, a crise evidencia movimentos internos que estavam silenciados há anos. Pequenas repetições, escolhas que se repetem sem que o sujeito se dê conta, modos de reagir que surgem automaticamente, tudo isso ganha força nesse momento. É como se algo do inconsciente, que já pedia escuta, finalmente encontrasse uma brecha para aparecer. Por isso, a crise pode ser menos um colapso e mais um chamado para olhar para o que não estava sendo visto.
A psicanálise não oferece respostas prontas, mas um espaço de presença e escuta, onde o sujeito pode sustentar a dor e transformá-la em direção.
Essa presença se constrói no ritmo de cada pessoa, sem exigências, julgamentos ou pressões para “superar rápido”. O que se transforma no processo não é apenas a compreensão racional do sofrimento, mas a relação que o sujeito estabelece consigo. Aos poucos, ele passa a reconhecer nuances afetivas, gestos, pequenos deslocamentos internos que antes se perdiam na pressa cotidiana. Essa mudança de posição diante da própria história é o que abre espaço para novos caminhos.
Repetir é tentar, inconscientemente, resolver o que ficou em aberto.
Elaborar é o movimento de dar novo destino ao que antes se perdia.
Se você percebe que está revivendo situações parecidas, nas relações, no trabalho, ou na forma como lida com suas emoções , a psicanálise pode ser um espaço para compreender o que se repete e reencontrar direção.
Ao reconhecer como a repetição de padrões na vida adulta se manifesta nos vínculos, nas escolhas e até no modo como reagimos às crises, o sujeito começa a perceber que há um fio que o conduz de volta a si mesmo. Esse movimento não é linear, mas abre espaço para que novas respostas possam emergir. Quando algo se repete, não é apenas o passado retornando: é também uma tentativa interna de construir um caminho diferente; um convite para transformar aquilo que insiste em doer.
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