Em muitas histórias, a autonomia foi aprendida cedo, não como escolha, mas como necessidade.
Antes de existir a possibilidade de contar com alguém, existiu o impulso de se virar sozinha.
e, com o tempo, esse modo de funcionar deixou de ser proteção e virou padrão emocional: “Eu dou conta”, mesmo quando dói;
“eu resolvo”, mesmo quando pesa;
“não quero preocupar ninguém” mesmo precisando de acolhimento.
Para algumas pessoas, pedir ajuda não é apenas desconfortável: é quase impossível.
Não porque falte confiança nos outros, mas porque existe um antigo pacto interno, construído muitas vezes na infância, que diz:
“Se eu depender, eu me machuco.
Se eu precisar, eu perco.
Se eu mostrar, eu fico vulnerável.”
E assim, a independência deixa de ser habilidade e se transforma em defesa emocional.
Isso não aparece como orgulho ou teimosia.
Aparece como força, competência, autonomia! Mas, por dentro, há uma história de sobrevivência.
Muitas vezes, a independência precoce nasce como resposta a ambientes onde a fragilidade não tinha lugar.
Em vez de aprender que poderia contar com alguém, o sujeito aprendeu que precisava dar conta, não como potência, mas como proteção, como modo de sobrevivência
E quando a vida segue, esse funcionamento rígido se mantém: pedir ajuda parece perigoso, expor limites parece errado, e descansar soa como falha.
Por dentro, porém, existe um esforço silencioso: o de sustentar tudo sozinha, mesmo quando o corpo e a mente já sinalizam cansaço.
Não se trata de orgulho.
Trata-se de uma marca emocional antiga:
“Se eu não segurar tudo, algo desaba.”
É nesse ponto que a dificuldade de pedir ajuda deixa de ser apenas comportamento e passa a ser história de sobrevivência.
A dificuldade de pedir ajuda quase sempre está ligada a experiencias onde:
Com isso, o sujeito aprende a se proteger fazendo tudo sozinho.
E essa proteção, com o tempo, vira identidade:
“Eu dou conta.”
Mesmo quando não dá.
Viver sempre no modo autossuficiente tem um preço silencioso:
Essa independência rígida afasta o sofrimento, mas também afasta o alívio.
Quando a palavra não sai, o corpo assume:
Não é falta de força.
É excesso de sustentação.
Na psicanálise, o pedido de ajuda não aparece como dependência, mas como constituição emocional.
Pedir ajuda significa:
É um movimento adulto e interno, não um retrocesso.
Na análise, o sujeito não precisa provar que dá conta.
Pode existir com pausas, dúvidas, fragilidades, forças e faltas.
Aqui:
A análise não ensina a depender, mas a não se proteger do que é bom.
Permitir-se pedir ajuda não é fraqueza: é um movimento de reorganização interna.
Quando alguém encontra um espaço onde pode ser ouvido sem desempenho, sem justificativas e sem comparação, algo dentro lentamente relaxa.
O que antes parecia “ser forte demais” começa a revelar o cansaço do que nunca pode ser dividido.
E aquilo que sempre foi carregado sozinha encontra, pela primeira vez, um lugar onde pode ser sustentado junto.
Às vezes, o primeiro gesto de existir com verdade é admitir que não precisa mais seguir no automático da autossuficiência.
E que permitir que outro te acompanhe não diminui sua força – amplia sua possibilidade de respirar por dentro.
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Ou presencial em Campinas.
Pedir ajuda não diminui quem você é, diminui o peso que você carrega
Se quiser um espaço para isso, estarei aqui.
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